Bem-estar animal e desempenho em competições funcionais tornaram-se eixos indissociáveis na evolução do cavalo Crioulo. Segundo Aldo Vendramin, o setor passou a enxergar o cavalo como um atleta de alta performance, cuja resposta em pista depende da integração entre fatores físicos, emocionais, genéticos e ambientais. Resultados consistentes são consequência de sistemas de manejo que respeitam limites biológicos e valorizam a saúde integral do animal.
Historicamente, a atenção estava concentrada quase exclusivamente em atributos como força e resistência. Com o tempo, aspectos relacionados ao comportamento, à capacidade de recuperação e à longevidade esportiva ganharam protagonismo. Nesse cenário, compreender como bem-estar, genética e manejo se conectam tornou-se essencial.
Bem-estar animal como base da performance funcional
O bem-estar animal constitui o alicerce sobre o qual o desempenho funcional se desenvolve. Conforto físico e estabilidade emocional influenciam diretamente a forma como o cavalo responde ao treinamento e às exigências das provas. Ambientes adequados, rotinas previsíveis e baixos níveis de estresse favorecem movimentos mais naturais, eficientes e seguros.

Aldo Vendramin explica que o bem-estar impacta diretamente a capacidade de aprendizado. Cavalos submetidos a manejo equilibrado assimilam comandos com maior facilidade, o que se reflete em execuções mais precisas e harmônicas nas provas funcionais. Dessa forma, o rendimento passa a ser resultado de um processo contínuo e consistente, e não de estímulos pontuais ou excessivos.
Manejo consciente e preparação para provas funcionais
A preparação para competições começa antes do treinamento intensivo. Aldo Vendramin ressalta que um manejo consciente organiza a rotina diária do cavalo, respeitando horários, períodos de descanso e interação equilibrada com o ambiente. Esses fatores contribuem para estabilidade física e comportamental, essenciais ao desempenho esportivo.
A alimentação deve acompanhar o nível de exigência funcional, fornecendo energia adequada sem comprometer a saúde metabólica. Ajustes nutricionais acompanham as diferentes fases de treinamento e competição, garantindo suporte ao esforço físico. Nesse contexto, o treinamento planejado respeita progressões e limites individuais.
Genética funcional e longevidade esportiva
A genética exerce influência decisiva sobre a funcionalidade do cavalo Crioulo. A seleção criteriosa de linhagens que priorizam equilíbrio estrutural, temperamento estável e boa capacidade de recuperação amplia a aptidão esportiva e reduz riscos ao longo da carreira. Características como conformação óssea, musculatura e resistência têm forte componente hereditário.
Assim, decisões genéticas impactam não apenas resultados imediatos, mas também a sustentabilidade do plantel e a longevidade esportiva dos animais. De acordo com Aldo Vendramin, a genética não atua de forma isolada. Manejo adequado e treinamento bem conduzido potencializam essas qualidades, permitindo que o cavalo expresse seu máximo desempenho funcional.
Regulamentos, ética e evolução das competições funcionais
A evolução das competições funcionais acompanhou a crescente valorização do bem-estar animal. Regulamentos passaram a privilegiar técnica, equilíbrio e respeito ao cavalo, penalizando excessos e conduções inadequadas. A qualidade da execução ganhou centralidade. Assim, o competidor precisa alinhar preparo físico, técnica e manejo responsável.
Em suma, Aldo Vendramin enfatiza que o desempenho sustentável tornou-se objetivo central nas competições funcionais. Cavalos bem manejados apresentam maior longevidade esportiva, regularidade de resultados e menor incidência de lesões, valorizando o trabalho de criadores e treinadores. Portanto, bem-estar animal e desempenho funcional caminham juntos na consolidação do cavalo Crioulo.
Autor: Mibriam Elhora