Acessórios ganham protagonismo em 2026: quatro tendências que devem transformar os looks da próxima temporada

Raphael Delcourt
Raphael Delcourt
Acessórios ganham protagonismo em 2026: quatro tendências que devem transformar os looks da próxima temporada

Lenços, broches grandes, sandálias sofisticadas e verde musgo aparecem entre as apostas que começam a sair das passarelas para as ruas.

A moda da próxima temporada começa a revelar uma mudança interessante: em vez de depender apenas de roupas completamente novas, os acessórios assumem o papel de transformar produções conhecidas. Durante os eventos de moda realizados em Copenhague em agosto, compradores, estilistas e profissionais do setor identificaram quatro apostas com potencial de ganhar força nos próximos meses: lenços e bandanas usados de novas maneiras, broches exagerados, sandálias de dedo com salto e o verde musgo. (Who What Wear)

A movimentação interessa especialmente ao consumidor brasileiro porque acessórios permitem atualizar o guarda-roupa sem necessariamente substituir peças inteiras. Um lenço pode mudar completamente uma camisa básica, enquanto um broche transforma uma jaqueta conhecida e uma sandália diferenciada pode alterar a leitura de um vestido simples. A pergunta, portanto, deixou de ser apenas “qual roupa estará na moda?” e passou a incluir outra questão: quais pequenos detalhes podem fazer um look atual parecer novo?

Lenços e bandanas deixam de ser apenas complementos

Entre as tendências identificadas no circuito de Copenhague, os lenços aparecem como uma das apostas mais versáteis. Eles foram observados não apenas no pescoço, mas também usados sobre a cabeça, amarrados em bolsas e incorporados à composição do look de maneiras menos tradicionais. A variedade de usos transforma um acessório relativamente simples em uma ferramenta de styling capaz de produzir efeitos completamente diferentes dependendo da amarração, do tamanho e da estampa escolhida. (Glamour UK)

A força dessa tendência está justamente na facilidade de adaptação. No Brasil, onde estampas e cores costumam ocupar espaço importante no vestuário, um lenço pode funcionar tanto como ponto de cor em uma produção neutra quanto como elemento que conecta diferentes peças. Uma camisa branca, por exemplo, ganha outra personalidade com uma bandana estampada no pescoço, enquanto uma bolsa de couro pode receber um pequeno lenço amarrado à alça para uma atualização mais discreta.

A tendência também conversa com o retorno de referências nostálgicas que vêm aparecendo na moda de 2026. O acessório recupera códigos associados a diferentes décadas, mas passa a ser usado de maneira menos literal. Em vez de reproduzir exatamente um visual antigo, a proposta contemporânea mistura o elemento retrô com alfaiataria, peças esportivas ou roupas minimalistas.

Essa liberdade ajuda a explicar por que os acessórios estão recebendo tanta atenção. Eles permitem testar uma tendência sem comprometer todo o guarda-roupa e podem ser trocados de acordo com a ocasião. Para quem procura uma maneira econômica de atualizar o estilo, esse movimento pode ser mais interessante do que investir imediatamente em uma nova coleção de roupas.

Broches grandes e verde musgo trazem personalidade aos básicos

Outra aposta que chama atenção é o retorno dos broches em proporções maiores. Em vez de funcionar como um pequeno detalhe quase escondido na roupa, o acessório passa a ocupar uma posição central na produção. A tendência foi identificada entre as principais apostas apresentadas na Copenhagen International Fashion Fair (CIFF), onde compradores e profissionais observaram também a presença de detalhes ornamentais em peças de diferentes estilos. (Who What Wear)

O broche pode ser usado em locais tradicionais, como a lapela de um blazer, mas também pode aparecer em casacos, bolsas, vestidos e até sobrepostos a outros acessórios. A lógica é transformar uma peça básica em uma superfície para expressão individual. Isso combina com um momento da moda em que personalização e styling têm tanta importância quanto a própria roupa.

O verde musgo surge como outra cor para acompanhar essa transformação. Diferente dos tons extremamente vibrantes que dominaram algumas temporadas recentes, a tonalidade oferece uma alternativa sofisticada aos neutros tradicionais. Ela pode aparecer em peças inteiras, bolsas, calçados ou detalhes, funcionando especialmente bem ao lado de bege, marrom, azul, branco e diferentes tonalidades de jeans. (Who What Wear)

Para o consumidor brasileiro, o verde musgo apresenta uma vantagem prática: sua aparência relativamente neutra facilita combinações. Uma camisa nessa tonalidade pode substituir o preto ou o marinho em determinadas produções, enquanto uma bolsa verde musgo introduz cor sem produzir um contraste tão intenso quanto tons neon. O resultado é uma tendência mais fácil de incorporar ao cotidiano e menos dependente de uma ocasião específica.

Sandália de dedo com salto transforma um clássico brasileiro

Talvez uma das apostas mais curiosas seja a transformação da tradicional sandália de dedo em uma peça mais sofisticada. O modelo aparece reinterpretado com salto baixo, acabamento mais elegante e materiais que aproximam o calçado de propostas urbanas. A tendência identificada na CIFF mostra como um item associado ao verão e à informalidade pode ganhar outra função dentro do guarda-roupa. (Who What Wear)

A ideia é particularmente interessante no Brasil porque a sandália de dedo já faz parte da cultura de vestuário do país. A novidade não está em introduzir um modelo desconhecido, mas em modificar sua construção para criar uma peça que possa circular por ambientes diferentes. Uma versão de salto baixo pode acompanhar uma saia midi, uma calça ampla ou um vestido fluido, criando uma produção que mantém a leveza do calçado tradicional, mas ganha aparência mais elaborada.

Essa transformação também mostra uma característica importante das tendências atuais: muitas novidades não nascem de peças completamente inéditas. Em vários casos, estilistas e marcas pegam objetos familiares e alteram proporção, material, acabamento ou contexto de uso. O consumidor reconhece a peça, mas passa a enxergá-la de outra maneira.

Isso favorece uma moda menos dependente de mudanças radicais. Em vez de abandonar tudo o que já existe no armário, o público pode reinterpretar peças conhecidas. É uma lógica especialmente relevante para quem deseja consumir moda de maneira mais consciente, já que acessórios e pequenas atualizações podem prolongar a vida útil de roupas que continuam funcionando.

A nova temporada aponta, assim, para uma moda em que o styling ganha tanta importância quanto a peça. Lenços usados de maneiras inesperadas, broches grandes, verde musgo e sandálias de dedo com salto são sinais de que detalhes podem redefinir uma produção inteira. (Who What Wear) Para o público brasileiro, a melhor maneira de acompanhar essas tendências é adaptá-las ao próprio clima, rotina e identidade, aproveitando primeiro aquilo que já existe no guarda-roupa. Afinal, uma tendência realmente relevante não é aquela que obriga a comprar tudo de novo, mas a que oferece novas possibilidades para vestir o que já se tem.

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