A estética coreana avança no mercado brasileiro com foco em saúde da pele, fórmulas funcionais e rotinas de cuidados cada vez mais personalizadas.
A beleza coreana deixou de ser uma referência distante para se tornar uma das tendências mais comentadas entre consumidores brasileiros. Nos últimos dias, reportagens sobre a expansão da K-beauty no país destacaram o crescimento da procura por produtos sul-coreanos, a popularização da chamada “glass skin” e a influência de criadores de conteúdo na mudança das rotinas de skincare. O movimento combina cuidados com a pele, ingredientes como centella asiática e uma estética que valoriza aparência hidratada, luminosa e natural. (Folha de S.Paulo)
O fenômeno, porém, vai além de importar produtos que fazem sucesso na Coreia do Sul. Ele revela uma transformação no modo como brasileiros enxergam maquiagem e cuidados pessoais: a pele passou a ocupar o centro da produção de beleza, enquanto a maquiagem ganha função complementar. Para quem acompanha tendências, a grande dúvida agora é como incorporar a K-beauty sem transformar a rotina em uma coleção interminável de produtos. O mercado brasileiro, que já está entre os maiores consumidores mundiais de beleza e cuidados pessoais, também começa a absorver essa influência de maneira própria. (ABIHPEC)
Por que a K-beauty está conquistando espaço entre brasileiras
A força da K-beauty está na mudança de prioridade. Em vez de esconder completamente a pele com camadas de maquiagem, a proposta valoriza uma rotina de cuidados capaz de deixá-la hidratada, uniforme e luminosa. A chamada glass skin, expressão associada a uma pele com aparência translúcida e viçosa, tornou-se uma das imagens mais reconhecíveis dessa estética. No Brasil, essa referência encontrou terreno fértil nas redes sociais, onde tutoriais, resenhas e vídeos de transformação tornam produtos e técnicas rapidamente conhecidos por milhões de consumidores. Dados citados em reportagem recente mostram que as importações brasileiras de produtos coreanos de beleza chegaram a US$ 54,3 milhões, enquanto o comércio eletrônico da categoria cresceu fortemente em 2025. (Folha de S.Paulo)
Outro fator decisivo é a variedade de fórmulas e texturas. Produtos leves, essências, séruns, máscaras e protetores solares aparecem associados a uma lógica de cuidado progressivo, na qual cada etapa tem uma função específica. Isso conversa diretamente com um consumidor que passou a pesquisar ingredientes antes de comprar e quer entender por que determinado produto faz parte da rotina. A tendência também acompanha uma transformação mais ampla da indústria brasileira: segundo a ABIHPEC, o setor nacional de Beleza e Cuidados Pessoais ultrapassou US$ 1 bilhão em exportações em 2025 e representa cerca de 2% do PIB brasileiro, mostrando a dimensão econômica desse mercado. (ABIHPEC)
A influência coreana, portanto, não significa necessariamente que o brasileiro vá copiar uma rotina de dez etapas. O movimento mais interessante está na valorização do cuidado contínuo e na aproximação entre skincare e maquiagem. É cada vez mais comum encontrar produtos que prometem hidratação, acabamento luminoso e benefícios cosméticos em uma mesma aplicação. Essa convergência cria uma linguagem de beleza mais prática, mas também exige atenção para não transformar tendências de internet em regras universais de cuidados com a pele.
Glass skin, maquiagem leve e a nova estética do rosto
A ascensão da glass skin ocorre paralelamente a outra mudança importante: a maquiagem extremamente pesada perdeu espaço para acabamentos mais naturais em diferentes editoriais e aparições recentes. No segundo semestre de 2026, a estética clean girl voltou a ganhar destaque, com pele leve, blush cremoso e lábios brilhantes aparecendo entre referências de beleza. (InMagazine) Essa aproximação entre skincare e maquiagem cria uma estética em que o resultado final parece menos “produzido”, mesmo quando existe uma sequência de produtos por trás.
Para quem quer adaptar a tendência ao cotidiano brasileiro, a principal inspiração não precisa ser a quantidade de etapas, mas a aparência final. Uma pele bem hidratada, proteção solar adequada e maquiagem aplicada em camadas finas podem produzir um visual luminoso sem exigir uma nécessaire enorme. Também vale lembrar que o clima brasileiro apresenta desafios próprios, especialmente calor, umidade e exposição solar, fatores que podem tornar fórmulas muito pesadas ou inadequadas desconfortáveis. A melhor rotina é aquela compatível com o tipo de pele, a região onde a pessoa vive e suas necessidades reais.
A popularidade da K-beauty também impulsiona marcas brasileiras a observar o comportamento do consumidor. Em vez de simplesmente reproduzir embalagens ou conceitos coreanos, empresas nacionais podem adaptar tendências a ingredientes, texturas e hábitos locais. A própria indústria brasileira tem mostrado capacidade de inovação e internacionalização: empresas apoiadas pelo projeto Beautycare Brazil, da ABIHPEC e ApexBrasil, exportaram US$ 363,4 milhões em 2025 para 130 países. (ABIHPEC)
Isso significa que a influência coreana pode gerar uma espécie de diálogo entre mercados. O Brasil não é apenas um consumidor de tendências estrangeiras, mas também um polo relevante de desenvolvimento de produtos e conhecimento em beleza. A combinação pode resultar em fórmulas inspiradas na lógica da K-beauty, mas pensadas para diferentes tipos de pele, preferências e condições climáticas brasileiras. Para o leitor, essa transformação amplia as opções, mas torna ainda mais importante aprender a diferenciar tendência estética de necessidade de tratamento.
Como aderir à tendência sem exagerar nos produtos
O principal erro ao entrar no universo da K-beauty é imaginar que uma rotina eficiente precisa obrigatoriamente ter muitas etapas. A quantidade de produtos não determina sozinha a qualidade do cuidado, e introduzir vários cosméticos simultaneamente pode dificultar a identificação de uma reação ou irritação. O caminho mais racional é entender primeiro quais necessidades a pele apresenta e construir uma rotina progressivamente, observando como ela responde.
Também é importante verificar a procedência dos produtos adquiridos pela internet. O crescimento das importações e do comércio eletrônico amplia a oferta, mas cria espaço para vendedores que comercializam itens sem a regularização necessária. A Anvisa tem realizado ações recentes contra cosméticos irregulares e determinou, em julho, a proibição de produtos sem registro ou notificação sanitária, reforçando que a origem e a regularização devem entrar na decisão de compra. (Serviços e Informações do Brasil)
Para o consumidor, isso significa observar informações do fabricante, composição, origem e regularização antes de aplicar qualquer produto no rosto. Também é prudente desconfiar de promessas muito rápidas, especialmente quando um cosmético é apresentado nas redes sociais como capaz de resolver diversos problemas simultaneamente. A estética da glass skin pode ser uma inspiração interessante, mas não substitui cuidados básicos nem transforma características naturais da pele em defeitos que precisam ser corrigidos.
A K-beauty chega ao Brasil, portanto, menos como uma moda passageira e mais como parte de uma transformação maior no mercado de beleza. O consumidor está demonstrando interesse por ingredientes, experiências sensoriais, tecnologia cosmética e resultados naturais, enquanto as marcas buscam responder a esse comportamento com produtos cada vez mais multifuncionais. (ABIHPEC) Para quem deseja experimentar a tendência, o melhor caminho é selecionar produtos confiáveis, introduzir novidades aos poucos e adaptar a estética coreana ao próprio estilo. Afinal, a beleza mais interessante da temporada não é copiar uma rotina inteira, mas descobrir quais ideias realmente fazem sentido para você.