Beleza multifuncional ganha força em 2026: por que os produtos que fazem mais de uma coisa estão dominando as tendências

Raphael Delcourt
Raphael Delcourt
Beleza multifuncional ganha força em 2026: por que os produtos que fazem mais de uma coisa estão dominando as tendências

Novos lançamentos apresentados na Beauty Fair mostram que praticidade, personalização e desempenho estão mudando a rotina de beleza no Brasil

A beleza brasileira está entrando em uma fase em que ter muitos produtos já não significa necessariamente ter uma rotina melhor. Os lançamentos apresentados na Beauty Fair 2026, realizada de 5 a 8 de setembro no Expo Center Norte, em São Paulo, mostram uma indústria cada vez mais interessada em produtos capazes de cumprir diferentes funções, ocupar menos espaço e acompanhar a rotina real do consumidor. A feira reuniu mais de 2 mil marcas e 500 expositores, consolidando-se como uma importante vitrine para lançamentos e movimentos que podem chegar ao varejo nos próximos meses. (Beauty Fair)

Por trás dessa transformação existe também uma mudança de comportamento. O Caderno de Tendências da Beleza 2026, elaborado pelo Sebrae, coloca a multifuncionalidade inteligente entre dez movimentos que devem orientar o setor, ao lado de personalização, sustentabilidade, ciência do cuidado, inclusão, longevidade e tecnologia. A questão, portanto, deixa de ser apenas qual produto está em alta e passa a envolver outra pergunta: como construir uma rotina mais eficiente sem abrir mão da expressão pessoal? (Agência Sebrae)

Por que a beleza multifuncional virou uma das grandes apostas de 2026

A ideia de multifuncionalidade não significa simplesmente colocar várias promessas na mesma embalagem. Na prática, ela representa uma tentativa da indústria de acompanhar consumidores que querem resultados mais claros, menos etapas e produtos que façam sentido dentro de uma rotina cada vez mais dinâmica. O Sebrae identifica justamente essa transformação ao colocar a multifuncionalidade inteligente entre as principais tendências da beleza para 2026. O estudo também mostra que o movimento está ligado à busca por personalização, bem-estar, sustentabilidade e experiências mais relevantes. (Agência Sebrae)

A Beauty Fair ajudou a mostrar como essa lógica está chegando aos lançamentos. O levantamento de novidades da própria plataforma Negócios de Beleza, ligada à feira, identificou produtos híbridos na maquiagem, aproximação entre maquiagem e skincare, além de finalizadores multifuncionais no segmento capilar. Entre os exemplos apresentados estão linhas da Dalla e da Dailus em categorias que transitam entre maquiagem, cuidados e perfumação, enquanto marcas de cabelo apostaram em soluções de tratamento e finalização. (Negócios de Beleza – Beauty Fair)

Essa mudança interessa especialmente a quem não quer transformar o banheiro em uma bancada repleta de produtos. Um item que hidrata, finaliza ou oferece proteção pode simplificar etapas, mas a vantagem real depende da utilidade daquela função para cada pessoa. A tendência, portanto, não significa obrigatoriamente usar menos produtos, mas fazer com que cada compra tenha maior relevância dentro da rotina. Essa lógica também acompanha uma transformação mais ampla no consumo: o Sebrae aponta que produtos duráveis e multifuncionais ganham espaço quando o consumidor passa a priorizar valor e utilidade em vez de quantidade. (Sebrae)

O que os novos produtos revelam sobre o consumidor brasileiro

O tamanho do mercado ajuda a explicar por que essas mudanças acontecem rapidamente. Segundo a ABIHPEC, o Brasil é o terceiro maior mercado consumidor mundial de Beleza e Cuidados Pessoais. A entidade informa que o setor movimenta cerca de R$ 200 bilhões e representa aproximadamente 2% do PIB nacional. Em 2025, as exportações brasileiras de produtos do segmento chegaram a US$ 1,061 bilhão, o maior valor da série histórica. (ABIHPEC)

Esse cenário coloca o consumidor brasileiro no centro de uma indústria altamente competitiva. A própria Beauty Fair 2026 reuniu mais de 2 mil marcas e 500 expositores, com expectativa de mais de 200 mil visitantes e volume de negócios projetado pela organização. A variedade de lançamentos apresentados na feira revela que as empresas estão disputando não apenas espaço na prateleira, mas também uma posição dentro de rotinas cada vez mais específicas e personalizadas. (Beauty Fair)

O detalhe mais importante é que praticidade não aparece isoladamente. O levantamento do Sebrae relaciona a multifuncionalidade a movimentos como beleza integrada, ciência do cuidado, sustentabilidade, longevidade, inclusão, personalização, experiências imersivas e digitalização. Isso indica que o consumidor contemporâneo espera mais do que uma promessa estética: ele procura conveniência, identificação e desempenho. A beleza passa a ser tratada como uma experiência que combina aparência, autocuidado, tecnologia e estilo de vida. (Agência Sebrae)

Essa personalização não é exatamente uma novidade no mercado brasileiro. O próprio Sebrae já identificava a mixologia como uma tendência de beleza baseada na combinação de produtos de acordo com as necessidades individuais de pele e cabelo. A diferença em 2026 é que a personalização passa a coexistir com outra demanda igualmente forte: simplificar a experiência. Em vez de escolher entre personalização e praticidade, a indústria tenta oferecer as duas coisas ao mesmo tempo. (Sebrae)

Como incorporar a tendência sem transformar a rotina em uma lista infinita

Para quem quer experimentar a beleza multifuncional, o primeiro passo é observar quais etapas realmente fazem parte do cotidiano. Se um produto consegue cumprir duas funções que já são necessárias, ele tende a ser mais útil do que uma novidade comprada apenas porque viralizou. No cabelo, por exemplo, finalizadores que combinam tratamento e styling podem fazer sentido para quem busca praticidade. Na maquiagem, produtos híbridos podem encurtar etapas entre preparação da pele e acabamento. A tendência funciona melhor quando resolve uma necessidade concreta.

Também vale observar a fórmula, a indicação de uso e o tipo de pele ou cabelo antes da compra. Multifuncionalidade não significa que qualquer produto sirva para qualquer pessoa, nem que uma única fórmula possa substituir todos os cuidados necessários. O próprio avanço da personalização apontado pelo Sebrae reforça que o futuro da beleza tende a ser menos baseado em uma rotina universal e mais orientado pelas necessidades específicas de cada consumidor. (Agência Sebrae)

Há ainda uma possível relação com um consumo mais consciente. Quando a escolha é baseada em produtos realmente utilizados, a multifuncionalidade pode ajudar a evitar o acúmulo de itens pouco usados. Isso não significa que um produto com várias funções seja automaticamente mais sustentável: fórmula, embalagem, durabilidade, descarte e cadeia produtiva continuam sendo importantes. A ABIHPEC, por exemplo, informa que o programa Mãos Pro Futuro recuperou cerca de 215 mil toneladas de embalagens pós-consumo em 2025, mostrando a dimensão que a logística reversa já alcança no setor. (ABIHPEC)

No fim das contas, uma das principais transformações da beleza em 2026 não está necessariamente em uma cor específica de batom ou em um único lançamento viral. Ela está na mudança da pergunta feita diante da prateleira. Em vez de apenas “o que está na moda?”, ganha importância a questão “o que realmente funciona para mim?”. A Beauty Fair tornou essa mudança particularmente visível ao reunir produtos híbridos, tratamentos direcionados, finalizadores multifuncionais, novas categorias e soluções voltadas à personalização. (Negócios de Beleza – Beauty Fair)

Para quem acompanha moda e beleza, o resultado é uma estética potencialmente mais individual e menos presa a regras. Maquiagem, cabelo, perfume e skincare passam a conversar com rotina, identidade e escolhas de consumo. A beleza multifuncional, nesse cenário, não representa apenas uma tentativa de colocar mais funções em uma embalagem: ela revela uma indústria tentando responder a um consumidor que quer praticidade sem abrir mão de desempenho, personalidade e possibilidade de escolha.

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