À La Garçonne revisita suas origens com materiais sustentáveis no SPFW N61

Redação Revista Moda
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A À La Garçonne voltou às referências que ajudaram a formar sua identidade no desfile apresentado em 14 de outubro de 2026, durante a 61ª edição da São Paulo Fashion Week. Sob direção do estilista Fábio Souza, a coleção recuperou elementos associados ao início da trajetória da marca, quando a criação estava ligada à customização de camisetas vintage, ao garimpo de peças e à reconstrução de roupas.

Realizada em São Paulo, a apresentação combinou a linguagem urbana da etiqueta com uma leitura mais ampla da alfaiataria e do reaproveitamento de materiais. O resultado reuniu peças de diferentes pesos e acabamentos, em uma proposta que aproximou referências tradicionalmente masculinas de construções voltadas ao guarda-roupa feminino.

Resgate da identidade da À La Garçonne

Segundo a ELLE Brasil, Fábio Souza buscou retomar aspectos presentes no começo da marca. A origem ligada à customização e às peças vintage apareceu não apenas como referência estética, mas também como ponto de partida para pensar novas possibilidades de uso, combinação e transformação das roupas.

A coleção apresentou macacões, vestidos de sarja, parkas, calças jeans, jaquetas e itens de alfaiataria. As peças foram acompanhadas por intervenções manuais, incluindo paisagens e motivos florais pintados à mão. Esses elementos acrescentaram uma dimensão artesanal à proposta, ao mesmo tempo em que preservaram o vínculo da À La Garçonne com uma moda de aparência urbana e experimental.

Entre os recursos utilizados no desfile também estavam elementos navais, paetês e tecidos metalizados. A presença desses materiais criou contrastes entre superfícies brilhantes e estruturas mais robustas, como as construções em sarja, denim e alfaiataria. A mistura reforçou a ideia de uma coleção construída a partir do encontro entre peças garimpadas, referências utilitárias e detalhes de acabamento mais decorativos.

Alfaiataria entre referências femininas e masculinas

Um dos eixos da apresentação foi a combinação de peças femininas com calçados e referências normalmente associados ao guarda-roupa masculino. A escolha não apareceu como uma separação rígida entre gêneros, mas como parte da lógica de composição da marca, que aproxima volumes, materiais e códigos distintos em um mesmo visual.

Parkas, jaquetas, calças e macacões dividiram espaço com vestidos e intervenções florais. Já a alfaiataria foi inserida nesse conjunto sem abandonar o caráter informal da coleção. A proposta mostrou como estruturas mais tradicionais podem ser reinterpretadas quando colocadas ao lado de jeans, tecidos reaproveitados, elementos navais e aplicações feitas manualmente.

Essa combinação também dialoga com a trajetória da À La Garçonne, conhecida por trabalhar com reconstruções e pelo uso de peças garimpadas. Em vez de apresentar uma coleção baseada em uma única matéria-prima ou silhueta, o desfile organizou diferentes referências em uma linguagem comum, marcada pelo contraste e pela sobreposição de códigos.

Materiais sustentáveis no desfile

De acordo com a cobertura da ELLE Brasil, 98% da coleção foi composta por materiais sustentáveis. A seleção incluiu tecidos de estoque parado, peças vintage e um fio de Lycra formado por 70% de matéria-prima vegetal derivada do amido de milho. O dado colocou o reaproveitamento e a inovação têxtil no centro da apresentação.

O uso de estoque parado é particularmente relevante para uma marca cuja linguagem já se relaciona à transformação de peças e materiais existentes. Nesse contexto, a sustentabilidade não foi apresentada apenas como uma característica isolada dos tecidos, mas como parte da construção visual e conceitual da coleção, que reuniu garimpo, customização e novas soluções para a composição das roupas.

A escolha do fio com matéria-prima vegetal também ampliou o repertório de materiais empregado no desfile. Ao lado de peças vintage e tecidos que estavam fora do fluxo regular de produção, o recurso indicou uma tentativa de aproximar a experimentação estética da discussão sobre alternativas de menor impacto na moda.

À La Garçonne na programação do SPFW N61

A apresentação integrou o calendário da São Paulo Fashion Week N61, realizada entre 13 e 18 de outubro de 2026, na capital paulista. Conforme o calendário contextualizado pela ELLE Brasil, a edição contou com 24 apresentações programadas e reuniu marcas e estilistas em torno da moda brasileira contemporânea.

Dentro dessa programação, o desfile da À La Garçonne se destacou por conectar memória de marca, intervenção manual e discussão sobre materiais. O retorno às origens não significou repetir as primeiras criações, mas reorganizar referências da trajetória de Fábio Souza em uma coleção que também incorporou alfaiataria, brilho, elementos navais e soluções têxteis sustentáveis.

Ao levar essa combinação para a passarela em São Paulo, a marca apresentou uma leitura própria sobre reaproveitamento e identidade autoral. O desfile mostrou que peças garimpadas, tecidos de estoque parado e matérias-primas de origem vegetal podem participar de uma proposta visual complexa, na qual a sustentabilidade se relaciona diretamente à construção da coleção.

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