De acordo com Dalmi Defanti, fundador da Gráfica Print e especialista em assuntos gráficos, pensar em acessibilidade também significa repensar a maneira como uma peça é criada e produzida. Essa preocupação deixou de ser restrita a projetos específicos e passou a fazer parte das discussões sobre comunicação visual, já que cores, textos, símbolos, imagens e outros elementos podem ser percebidos de maneiras diferentes pelo público.
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O que torna um design realmente acessível?
Uma peça acessível precisa ser compreendida pelo maior número possível de pessoas, sem depender exclusivamente de um único recurso visual. Texto pequeno demais, baixo contraste, excesso de informações e elementos mal organizados podem dificultar a leitura, mesmo quando o resultado parece esteticamente agradável. Por isso, considerar diferentes formas de percepção desde o início pode tornar a comunicação mais clara e funcional para públicos diversos.
Tendo esses pontos em vista, a acessibilidade começa antes da escolha de cores ou fontes. A hierarquia das informações precisa indicar ao leitor o que deve ser visto primeiro, o que é complementar e onde está a informação principal. Títulos, textos, chamadas e elementos gráficos devem ocupar posições que facilitem a identificação de cada conteúdo. Essa organização também evita que recursos decorativos disputem espaço com as informações que realmente precisam ser encontradas e compreendidas.
Dalmi Defanti aponta que esse cuidado também é importante na produção gráfica. Uma composição que funciona na tela pode apresentar outro resultado quando impressa, especialmente por causa do tamanho físico, do papel e da reprodução das cores. Pensar na peça considerando seu uso real ajuda a evitar que uma escolha estética prejudique sua compreensão. A análise do material final permite verificar se aquilo que foi planejado no projeto permanece legível e perceptível depois da impressão.
Como escolher cores sem dificultar a leitura?
Dalmi Defanti Cuiabá, sendo especialista em assuntos gráficos, alude que a cor é um dos recursos mais utilizados para organizar uma composição, destacar informações e criar identidade. Entretanto, ela não deve ser responsável sozinha por transmitir uma mensagem. Uma pessoa com alguma dificuldade de percepção de determinadas cores pode não conseguir diferenciar informações que dependem apenas dessa característica. Sendo assim, o projeto precisa oferecer outros elementos que permitam identificar a mesma informação sem depender exclusivamente da percepção cromática.

Uma solução é combinar cores com outros elementos. Ícones, textos, padrões, formas e diferenças de tamanho podem reforçar uma informação que também foi destacada por meio da cor. Dessa maneira, o significado não desaparece caso o contraste cromático seja percebido de forma diferente. Essa combinação também pode melhorar a organização visual da peça, tornando mais evidente a relação entre diferentes informações e facilitando a leitura do conjunto.
É possível unir acessibilidade e identidade visual?
Existe uma ideia equivocada de que uma peça acessível precisa abrir mão da criatividade para se tornar funcional. Na prática, os dois objetivos podem caminhar juntos. O desafio está em encontrar soluções visuais que preservem a personalidade sem criar obstáculos desnecessários para quem precisa compreender a mensagem. Quando cada elemento é escolhido com uma função clara, é possível construir uma identidade marcante sem comprometer a facilidade de leitura.
Uma tipografia com personalidade, por exemplo, pode ser utilizada em títulos, enquanto textos maiores recebem uma fonte mais simples e confortável para leitura. Da mesma forma, elementos decorativos podem enriquecer uma composição sem ocupar o espaço necessário para as informações essenciais. O equilíbrio está em distribuir esses recursos de acordo com a importância de cada informação, evitando que o excesso de detalhes dificulte a compreensão da peça.
Dalmi Defanti remete que pensar dessa maneira aproxima o design de sua finalidade principal: comunicar. Uma peça pode ter cores marcantes, composição elaborada e acabamento diferenciado, mas esses recursos precisam contribuir para a experiência do público. Quando a estética começa a competir com a mensagem, a comunicação perde eficiência. Em suma, acessibilidade e criatividade podem caminhar juntas quando o projeto coloca a clareza da informação no centro das decisões visuais.